AV na imprensa: Newsline Report
A indústria de mídia, broadcast, produção e distribuição de conteúdos na América Latina passa por uma transformação profunda. A mudança não se limita à transição da televisão tradicional para o streaming: também modifica a forma como os conteúdos são criados, distribuídos, monetizados e consumidos.
Para esta coluna de "AV na imprensa" com os media partners da InfoComm América Latina 2026, conversamos com Ángeles Pérez Aguirre, editora da Newsline Report, sobre a evolução do mercado, o avanço de tecnologias como cloud, IP e inteligência artificial, e as novas oportunidades que surgem para broadcasters, produtoras, plataformas, integradores e fornecedores tecnológicos.
“Não se trata apenas de uma migração da TV tradicional para o streaming, mas de uma mudança em toda a cadeia de valor: como os conteúdos são produzidos, como são distribuídos, como são monetizados e como se relacionam com as audiências”, afirma.
Uma cadeia de valor em transformação
O modelo tradicional de produção e transmissão linear convive hoje com plataformas digitais, streaming, redes sociais, eventos ao vivo, conteúdos sob demanda e estratégias multiplataforma. Isso obriga as empresas de mídia a trabalhar com mais flexibilidade, adaptar formatos e distribuir conteúdos em diferentes canais.
Nesse novo cenário, a convergência tecnológica é fundamental. Broadcast, audiovisual profissional, streaming, produção remota, cloud, redes IP e inteligência artificial já não funcionam como mundos separados, mas como partes de um mesmo ecossistema.
“Não se trata de tecnologias separadas, mas de como todas se unem para produzir, distribuir e monetizar conteúdo com maior flexibilidade”, explica Pérez Aguirre.
A produção baseada em IP e na nuvem permite otimizar recursos, trabalhar com equipes distribuídas e escalar operações. Ao mesmo tempo, a inteligência artificial começa a ser incorporada em tarefas de automação, gestão de conteúdos, análise de audiências, geração de materiais e personalização.
Oportunidades para meios, plataformas e integradores
A transformação abre oportunidades para diferentes atores. Os broadcasters podem combinar transmissão linear com plataformas digitais e novos modelos de monetização, como publicidade segmentada ou conteúdos ao vivo.
As produtoras podem criar materiais para múltiplas janelas de distribuição, incorporar produção remota e utilizar ferramentas de IA para reduzir prazos e custos. As plataformas de streaming, por sua vez, encontram valor na personalização, nos modelos híbridos de assinatura e publicidade, e na integração de eventos ao vivo.
Também cresce o espaço para integradores e fornecedores tecnológicos. À medida que os fluxos de trabalho se tornam mais conectados, aumenta a demanda por parceiros capazes de integrar infraestrutura, software, cloud, redes, áudio, vídeo, automação e distribuição digital.
Infraestruturas mais flexíveis e automatizadas
As necessidades técnicas também estão mudando. O vídeo de alta resolução, o consumo multiplataforma, a inteligência artificial e os novos modelos de negócio exigem infraestruturas capazes de se adaptar rapidamente.
“Em vez de depender de uma única plataforma ou de um único fluxo de trabalho, os criadores e as empresas precisam de infraestruturas mais flexíveis e automatizadas”, afirma Ángeles.
Isso implica avançar para arquiteturas mais escaláveis e interoperáveis, nas quais câmeras, switchers, codificadores, servidores, plataformas de streaming, sistemas de gestão de conteúdos, áudio, vídeo, controle e redes possam trabalhar de forma coordenada.
O vínculo crescente entre broadcast e Pro AV
Uma das mudanças mais visíveis é a aproximação entre a indústria broadcast e o mercado Pro AV. A adoção de IP, a produção híbrida e a necessidade de gerar conteúdos de qualidade para múltiplas plataformas reduziram muitas barreiras entre os dois mundos.
Hoje, auditórios corporativos, universidades, centros de convenções, venues, empresas, igrejas e estúdios internos exigem capacidades de produção, transmissão e distribuição que antes eram associadas quase exclusivamente ao broadcast.
“Considero que a relação é muito mais estreita do que há uma década. A adoção de infraestruturas IP, a produção híbrida e a necessidade de gerar conteúdo de qualidade para múltiplas plataformas eliminaram muitas das barreiras tecnológicas e comerciais entre os mercados”, sustenta.
InfoComm América Latina como ponto de encontro
Para essas necessidades, a InfoComm América Latina se apresenta como um espaço relevante para profissionais de broadcast, produção audiovisual e conteúdos digitais. O evento permite conhecer tecnologias, explorar novos fluxos de trabalho, avaliar soluções ao vivo e gerar conexões com fabricantes, distribuidores, integradores, empresas de mídia e fornecedores de serviços.
“A InfoComm América Latina é um ponto de encontro essencial para os executivos e as marcas da indústria”, afirma Pérez Aguirre.
Além do networking, das capacitações e da atualização sobre tendências, o evento oferece a possibilidade de descobrir inovações aplicadas e encontrar oportunidades de negócio em um mesmo lugar.
À medida que broadcast, Pro AV, streaming, cloud, IP e inteligência artificial avançam para modelos mais integrados, a InfoComm América Latina permite entender como essa convergência está impactando a produção, a distribuição e a monetização de conteúdos na região.
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