Tendências da indústria AV 2026
1. Segurança reforçada
À medida que os sistemas audiovisuais se conectam cada vez mais a redes corporativas e serviços em nuvem, a segurança já não pode ser tratada como algo secundário. Cada tela conectada, microfone ou plataforma de colaboração representa uma possível superfície de ataque, trazendo novos riscos junto com novas capacidades.
“Não é novidade que a cibersegurança ganha cada vez mais relevância devido ao aumento — e à crescente sofisticação — dos ataques direcionados às redes corporativas. Esse fortalecimento das medidas de segurança costuma colocar os equipamentos AV em uma posição desconfortável, já que muitas vezes são percebidos como tecnologia antiga e vulnerável sob a perspectiva da cibersegurança”, conta Martín Corró, Gerente de Operações da AVI-SPL.
“Por esse motivo, é fundamental manter uma comunicação fluida e antecipada com os departamentos de TI dos nossos clientes desde as primeiras etapas dos projetos AV. Isso nos permite considerar as restrições que possam surgir em termos de segurança e como elas impactam o nosso design, além de identificar quais equipamentos poderão se conectar à rede e quais não, as necessidades de VLANs ou até avaliar a conveniência de substituir certos dispositivos ou implementar uma rede independente para não comprometer a infraestrutura corporativa.”
O verdadeiro avanço está em projetar um ecossistema seguro desde o primeiro dia. Por isso, em 2026 e além, a segurança reforçada será uma prioridade absoluta.
Corró acrescenta: “Não podemos chegar com o equipamento AV e simplesmente perguntar onde conectar: agir dessa forma comprometeria o projeto desde o início. Precisamos fornecer às equipes de TI todas as informações necessárias para que possam avaliar corretamente os riscos e as implicações de integrar nossos dispositivos à rede. Em muitos casos, inclusive, é necessário envolver os fabricantes e seus especialistas para responder a questões avançadas e garantir que as soluções AV cumpram os requisitos de segurança estabelecidos”.
Em conclusão, a cibersegurança tornou-se um aspecto essencial no design de qualquer sistema AV. Considerá-la desde as etapas iniciais do projeto não apenas reduz riscos, mas também garante compatibilidade, continuidade operacional e confiança do cliente”, finaliza Martín.
2. A convergência de AV e IT… e a IA?
A inteligência artificial já passou do conceito para a realidade, e espera-se que essa tendência continue se acelerando nos próximos anos.
No universo AV, existe um claro interesse em aproveitar a IA para alcançar o público de forma mais eficaz. À medida que os ambientes AV e IT continuam convergindo, uma integração mais profunda com a IA permitirá que os sistemas se adaptem em tempo real, otimizem operações e gerem insights mais inteligentes baseados em dados, melhorando tanto a experiência do usuário quanto a gestão do sistema.
“A convergência entre AV, IT e IA não se trata exclusivamente da evolução tecnológica, mas de uma mudança estrutural na forma como as organizações colaboram. Hoje, os sistemas de áudio e vídeo não apenas conectam pessoas: interpretam contexto, otimizam dinâmicas e transformam cada reunião em informação acionável. Quando esses espaços integram agentes de IA, deixam de ser salas de reunião para se tornarem ambientes produtivos capazes de analisar dados em tempo real e acelerar a tomada de decisões”, explica Julián Sánchez, Especialista de Desenvolvimento de Mercado para a América Latina da Shure.
“Já não se trata apenas de ouvir ou ver melhor, mas de otimizar a forma como colaboramos. Isso redefine o papel do integrador e do fabricante: o valor não está mais somente no hardware e nos serviços comercializados, mas na capacidade de desenhar experiências que impulsionem produtividade e eficiência como vantagens competitivas.
Para alcançar isso — e tirar o máximo proveito da IA nos espaços de colaboração — a captação correta da voz torna-se fundamental. Para isso, é necessário contar com soluções de áudio adequadas com processamento avançado, nas quais a IA desempenha um papel importante ao eliminar ruídos e ecos, calibrar o áudio automaticamente de acordo com a acústica e ajustar os níveis de ganho conforme os diferentes tipos de voz. Isso garante ao usuário uma colaboração de excelência”, conclui.
3. Interoperabilidade nas reuniões
A interoperabilidade está se consolidando como uma tendência chave na videoconferência, impulsionada pelas expectativas dos usuários.
Com a simplicidade como prioridade, a interoperabilidade será essencial para viabilizar o trabalho híbrido e a colaboração entre plataformas. As organizações valorizarão cada vez mais sistemas que permitam aos participantes ingressar em reuniões a partir de qualquer serviço ou dispositivo com facilidade, garantindo encontros simples de iniciar e gerenciar, independentemente da ferramenta utilizada.
“Na Audinate, vemos que a interoperabilidade é fundamental para que as reuniões híbridas funcionem sem fricção. Tecnologias como Dante permitem integrar áudio e vídeo profissional, além do controle entre plataformas e dispositivos, facilitando experiências consistentes independentemente da ferramenta utilizada”, comenta Miguel García, Senior Technical Training Manager EMEA da empresa.
“Em linha com a visão da AVIXA, acreditamos que em 2026 a simplicidade e a compatibilidade serão fatores decisivos para maximizar a colaboração e a produtividade”.
Por sua vez, Ehud Bejarano, Diretor de Desenvolvimento de Produtos e Soluções da Kramer, acrescentou: “Na Kramer, concordamos plenamente com essa visão: a interoperabilidade já não é uma vantagem competitiva, mas uma exigência do mercado. Nossas soluções integram diversas tecnologias, entre elas HDBaseT para distribuição de sinal, Dante para transporte de áudio em rede e suporte nativo aos codecs H.264/H.265, entre outras. Isso permite que as organizações construam ecossistemas AV flexíveis que conectam de forma harmoniosa qualquer plataforma de videoconferência — seja Microsoft Teams, Zoom, Google Meet ou qualquer serviço emergente — a partir de qualquer dispositivo. Em um ambiente de trabalho cada vez mais híbrido, a simplicidade na experiência do usuário é resultado direto de uma arquitetura técnica bem pensada, e esse é exatamente o enfoque que guia o desenvolvimento dos nossos produtos”.
4. Foco na sustentabilidade
Em 2026, as empresas darão maior ênfase a materiais e estratégias ecoeficientes. Então, como reduzir a pegada ambiental nos projetos AV?
A redução do impacto ambiental começa com decisões de design mais inteligentes, como plataformas interoperáveis, hardware energeticamente eficiente e componentes padronizados que prolonguem a vida útil dos sistemas. Também envolve reduzir deslocamentos técnicos por meio de monitoramento remoto, gestão em nuvem e manutenção preventiva, o que diminui emissões e custos operacionais.
Juan Carlos Rodríguez, BDD de ProAV da Absen México, explica: “Hoje em dia, está na moda ser ‘verde’, mas, além dessa tendência ou estratégia de marketing, precisamos ser mais eficientes, rentáveis e práticos, o que implica um compromisso importante. Nossos projetos devem ser duráveis, operáveis remotamente e com melhorias no consumo energético”.
Na Absen, esse compromisso tem sido aplicado desde a redução da necessidade de substituições frequentes e da geração de resíduos eletrônicos. “Por exemplo, a Série A25 da Absen foi testada para oferecer estabilidade operacional por até 10 anos, reutilização de estruturas existentes e simplificação da manutenção. Também foi projetada para gerar mais de 50% de economia de energia em comparação com soluções padrão e consumo inferior a 1 kWh/m² por dia”, acrescenta.
Do abastecimento e embalagem dos produtos até a instalação e gestão das soluções, existem oportunidades sustentáveis em cada etapa. Os maiores avanços acontecem quando integradores, usuários finais e fabricantes compartilham a responsabilidade, transformando a sustentabilidade em um resultado coletivo e prático, e não apenas em um item a ser marcado.
Juan Carlos vai além: “Iniciativas mais amplas dentro da estratégia Absen Green incorporam materiais eco-compatíveis, processos de fabricação de baixo impacto e redução de emissões durante a produção. Essas iniciativas têm gerado economias energéticas significativas ao longo dos anos, contribuindo para a neutralidade de carbono nas operações corporativas. Em conclusão, a adoção de tecnologias de LED em comparação com LCD — que tendem a gerar maior consumo energético e uma pegada de carbono mais elevada — torna-se uma necessidade para melhorar o meio ambiente.”
Pronto para agir? Aqui vai um recurso adicional: o Sustainability Advisory Group foi criado pelo conselho diretor da AVIXA para oferecer recursos e apoiar a indústria Pro-AV em sua jornada rumo à sustentabilidade. Consulte suas guias de melhores práticas para consultores AV, fabricantes e integradores de sistemas.
5. Telas imersivas
Olhando para o futuro, empresas e instituições buscam métodos mais envolventes para apresentar informações, impulsionando a crescente presença de videowalls e telas imersivas em grandes recintos e espaços públicos.
Os videowalls, formados por múltiplas telas que criam uma única superfície de grande formato, já são amplamente utilizados em salas de controle, aeroportos e lobbies corporativos. No entanto, graças aos avanços tecnológicos e à redução de custos, essas instalações começarão a aparecer com maior frequência em salas de aula, salas de reunião e ambientes de varejo.
“Digitalizar espaços que antes eram apenas gráficos transforma superfícies estáticas em ativos dinâmicos de comunicação. As telas LED imersivas permitem atualizar conteúdo em tempo real, segmentar mensagens e gerar maior impacto visual. A alta tecnologia não apenas moderniza o ambiente, mas também abre a possibilidade de liderar estrategicamente os espaços de comunicação. Hoje competimos pela atenção do público e pelo impacto do formato e do conteúdo que comunicamos. A Dinalight é uma parceira tecnológica de projetos imersivos que buscam comunicar de forma diferente”, afirma Gabriel Pasiha, Gerente Comercial da empresa no México.
Conclusão
Da segurança reforçada às telas imersivas, 2026 promete ser um ano cheio de mudanças e dinamismo. Abordamos algumas das principais tendências AV, mas as possibilidades de inovação continuam amplas.
E isso não termina aqui. As empresas Absen, Audinate (Dante), AVI-SPL, Dinalight, Kramer e Shure já confirmaram sua participação no piso de exposição da InfoComm América Latina 2026. Esperamos você no México para continuar essa conversa!
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